Metodologia de ensino: por que ela é decisiva na escolha da escola?

Metodologia de ensino: por que ela é decisiva na escolha da escola?

Entenda as características de cada uma das metodologias de ensino existentes e saiba como escolher a mais adequada para o desenvolvimento do seu filho.

A experiência escolar para o desenvolvimento da educação dos filhos envolve escolhas que provocam dúvidas na família. Dentre a variedade de metodologias de ensino que fomentam valores e estilos de vida, é importante avaliar as particularidades de todas as escolas antes de selecionar uma, a fim de fazer boas opções ao lado da criança e do adolescente.

Ao visitar as instituições de ensino, conhecer seus espaços e propostas, pesquisar e anotar todas as informações que você deseja saber a respeito das metodologias, e finalmente abrir um diálogo com os responsáveis pela coordenação e/ou direção da instituição, cria-se um cenário muito favorável para a tomada de decisões.

Nesse momento, a família pode avaliar as opções disponíveis, considerando-se ainda os valores e o modo de vida que busca compartilhar com a criança ou jovem. Todas essas variáveis favorecerão uma experiência bem-sucedida de adaptação do estudante.

As metodologias de ensino, de forma geral, buscam contemplar os talentos pessoais, a inteligência emocional, o contato ecológico e as habilidades artísticas dos alunos. Embora no Brasil a técnica predominante ainda seja a tradicional, há diversas outras propostas para uma educação assertiva. Continue a ler nosso artigo e conheça algumas delas!

Tradicional

A abordagem de ensino tradicional, nascida na Europa, no século XVIII, sob o advento iluminista é, de acordo com a educadora Denise Leão, uma das metodologias de ensino mais seguidas pelos colégios brasileiros. Centralizada na figura do professor, que ensina e direciona o conteúdo, essa linha sustenta ainda que os alunos obtenham uma determinada nota em todas as disciplinas para que sejam aprovados.

Segundo essa perspectiva de ensino, quanto mais conteúdo o aluno aprende, melhor para seus resultados. Rigoroso em relação a fatores como comportamento, horário, frequência, utilização de uniformes, oferece os conhecimentos como verdades inquestionáveis.

Construtivista

metodologia de ensino construtivista tem abordagens diferentes de acordo com o teórico em que se baseia. Sua essência original e mais comum entre as escolas brasileiras fundamenta-se na teoria de Jean Piaget (1896 — 1980). Ao contrário da abordagem tradicional, que coloca o professor no centro, a perspectiva construtivista acredita no potencial transformador de cada aluno individualmente.

No construtivismo, valoriza-se tanto o indivíduo quanto o trabalho desenvolvido em grupo, assim como todas as soluções inovadoras propostas e o senso crítico. Há destaque para o aspecto cognitivo, levando-se em consideração que a criança utiliza conhecimentos e experiências que já possui para interpretar o mundo, com atividades de música e dramatização, por exemplo.

Há também escolas construtivistas que utilizam as teorias de alfabetização de Emilia Ferreiro (1936), psicóloga argentina que foi aluna de Piaget. Segundo Emilia Ferreiro, as crianças têm habilidade de aprender a escrita sem a mediação de uma instituição educacional. Em vez de séries, as turmas se organizam em ciclos.

Freireana

Pautada na metodologia dialógica de Paulo Freire (1921 — 1997), a proposta pedagógica visa despertar a confiança do aluno a fim de que ele compreenda e desenvolva sua visão de mundo através do conhecimento. Segundo a perspectiva freireana, é preciso considerar a cultura, os saberes prévios do aluno, e apostar na formação dos indivíduos para o exercício da cidadania, uma vez que todos os sujeitos têm poder de transformação em sua realidade e de participar da construção conjunta da nação.

A metodologia não se apoia em provas, mas é possível que sejam realizadas avaliações regulares a fim de acompanhar o desenvolvimento integral do aluno, considerando-se sua capacidade linguística, bem como suas dificuldades, interações socioculturais e políticas e, enfim, seu senso crítico. Cada estudante é integrado para construir laços de confiança e aprender com base em valores como humildade, tolerância, bom senso e respeito.

Escola comportamentalista

Nessa abordagem pedagógica, fundamentado no trabalho do psicólogo estadunidense Burrhus Frederic Skinner (1904 — 1990), o professor realiza um controle do tempo e da resposta que os alunos dão aos estímulos educacionais recebidos. Ao atingirem seus objetivos, são recompensados.

Nas instituições comportamentalistas, os materiais institucionais são controlados e, como nas escolas tradicionais, podem-se realizar avaliações periodicamente.

Montessoriana

A busca da formação autônoma da criança, – que tem liberdade para desenvolver, criar e tomar iniciativas – é o que fundamenta o modelo criado pela médica italiana Maria Montessori (1870 — 1952). Nesse sistema, valorizam-se o estudo e a educação científica, os quais podem ser desenvolvidos pelos alunos em ritmos de aprendizagem diferentes, de acordo com sua individualidade.

Nas séries iniciais, objetos lúdicos desenvolvidos como recursos pedagógicos ficam ao alcance das crianças para que possam explorar e utilizá-los. O professor guia os estudos das turmas, orienta o trabalho de cada aluno, acompanha os diferentes ritmos de aprendizado e busca soluções para as dificuldades; não há obrigatoriedade de provas, embora alguns colégios possam optar por fazê-las. Após o ensino fundamental e o ensino médio, é comum que seja requerido o desenvolvimento de uma monografia.

Waldorf

A pedagogia Waldorf está baseada nas ideias do filósofo austríaco Rudolf Steiner (1861 — 1925), que norteiam a antroposofia. O nome dessa metodologia deriva do lugar de origem de seus primeiros alunos, trabalhadores da fábrica Waldorf Astoria, na Alemanha.

Pautada pelo progresso físico, social e individual da criança, a proposta de Steiner busca o equilíbrio de aspectos cognitivos e anímicos com o desenvolvimento de habilidades de artes, dramatização, movimentação e música. Em se tratando da referência que carrega da antroposofia, defende o conhecimento universal e da natureza do ser humano, de forma abrangente, com renovação da pesquisa científica.

Na metodologia Waldorf, os alunos se distribuem em faixas etárias e são acompanhados pelo mesmo tutor de 7 em 7 anos. A abordagem respeita a maturidade corporal e, portanto, não trabalha com repetências, pois o ritmo biológico individual de cada um não pode ser alterado, o que interfere também em fatores de avaliação. Podem ser aplicados testes. Entretanto, os professores consideram, além do desempenho, a execução do trabalho e o grau de dificuldade enfrentado pelo estudante ao desempenhar determinadas tarefas.

As escolas visam a uma integração social com a família e incluem diferentes atividades em seu currículo, tais como astronomia, meteorologia, jardinagem, artes e trabalhos manuais, como tricô e crochê.

A etapa final da escolha escolar

Outras opções de metodologias de ensino, como Freinet, Optimist, Escola Pikler e escola how-to-live representam abordagens que podem proporcionar um vasto aprendizado a uma criança ou adolescente em formação. Ao escolher uma instituição, a família não deve considerar somente os rótulos, mas também fazer uma avaliação sobre o local e as práticas efetivamente oferecidas, a fim de que o aluno se identifique com a instituição e com o ambiente que proporciona após o período adaptativo.